quinta-feira, 30 de julho de 2015

Setor automotivo deve buscar retomada de exportações, diz Armando Monteiro



O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro, disse ontem (29), que o setor automotivo deve buscar a retomada das exportações. Segundo ele, o governo tem foco prioritário no setor. O ministro deu as declarações após reunião do Conselho Consultivo do Setor Privado na Câmara de Comércio Exterior (Camex). Ele e o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, falaram com empresários sobre o Plano Nacional de Exportações.
 “É do maior interesse aumentar as exportações do setor. O mercado doméstico caiu muito, e o Brasil já exportou muito mais no passado”, declarou Armando Monteiro. Segundo ele, o setor automotivo foi um dos interesses na viagem que fez ao Peru e à Colômbia, na semana passada, durante a qual ele se reuniu com representantes dos governos dos dois países. Monteiro disse que o Brasil já teve presença expressiva no mercado colombiano. "Nós queremos retomar, e é possível retomar” o patamar anterior de negócios, salientou.
Segundo o ministro, a ampliação do acesso do setor ao mercado externo pode ocorrer com a negociação de cotas de exportação e regras para definição de origem de autopeças, por exemplo. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, acrescentou que tem havido aumento das exportações brasileiras, em termos de quantidade, e há indicação de que alguns setores, como o automotivo, estão voltando a exportar. “Eu acho que esse é um trabalho que a gente tem que continuar. É a direção que a economia tem que ir nesse ajuste”, declarou. Monteiro corroborou que as exportações crescem em quantidade.
“Quando se fala do quantum, volume físico, a gente estás exportando mais que no ano passado. Se nós tivéssemos os preços de 2014, teríamos US$ 18 bilhões a mais de exportação”, disse, referindo-se à queda de preço de commodities (produtos básicos com cotação internacional) como minério de ferro, complexo soja e petróleo. Monteiro ressaltou ainda que o comércio internacional está crescendo em ritmo menor. “Crescia a taxas de dois dígitos, hoje cresce a menos de 3%”, declarou.
O ministro disse também que o momento atual do câmbio, com dólar valorizado, é uma “janela de oportunidade” para que o Brasil volte a ser a principal plataforma de exportação de algumas empresas. Ele avaliou que a desvalorização do câmbio brasileiro “veio para ficar”, o que, na sua visão, garantirá um ambiente “amigável” às exportações. “A nossa moeda esteve fortemente valorizada nos últimos 12 anos. Há um espaço se configurando para a desvalorização. Esse movimento não se dá apenas com o real”, disse, referindo-se ao fato de que o fenômeno de valorização do dólar tem impactado outras moedas.
Armando Monteiro disse, seguindo a agenda do Plano Nacional de Exportações, que o governo tem feito esforço para ampliar o acesso brasileiro a diversos mercados. Ele destacou a visita presidencial aos Estados Unidos, a renovação do acordo automotivo com o México e a viagem dele, na semana passada, ao Peru e à Colômbia, com o compromisso de acelerar o cronograma de desagravação tarifária. O ministro citou também acordos de facilitação de investimentos com Angola, Moçambique e Malauí, e a perspectiva de ocorrer o mesmo com África do Sul e Tunísia.
Por fim, Monteiro salientou que há empenho na troca de ofertas para um acordo comercial entre Mercosul e União Europeia ainda este ano. Os dois blocos econômicos discutem o possível acordo há cerca de 15 anos. Trata-se de um processo muito complexo, segundo ele, mas está praticamente concluído. O que falta é harmonizar posições dentro do bloco. "É uma oferta que se faz conjuntamente”, completou.

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