quarta-feira, 22 de junho de 2016

EDITORIAL: EDUARDO CUNHA MANCHA O CONGRESSO

O processo instaurado contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que bateu o recorde de tramitação no Conselho de Ética da Casa, com seis meses de procrastinações causadas por manobras de aliados de Cunha é lastimável. Por isso, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot,pediu para que a Corte afaste Cunha do cargo, cujos poderes são manipulados por ele em defesa própria.

Formalmente da base do governo, o deputado fluminense passou a ser tratado como inimigo ao ganhar a presidência da Câmara, na atual legislatura, derrotando o candidato do Planalto, o petista Arlindo Chinaglia, com votos de sobra. Entrou, então, em choque com a presidente Dilma e, cumprindo prerrogativas do cargo, aceitou pedido de impeachment contra a presidente.

A beligerância de Cunha com PT e Dilma, bem como seu prontuário, foi usada para desqualificar o processo de impedimento, tachado de “golpe” pela presidente e lulopetistas. Fingem não saber que toda a tramitação do impedimento tem respaldo no Supremo, responsável pelo rito do processo, e que até agora rejeitou recursos impetrados por Dilma.

Além de tudo, a admissibilidade do pedido de impeachment de Dilma recebeu sinal verde na Câmara com votação maciça, e foi aprovada pela comissão especial instalada no Senado para decidir se o processo irá a julgamento. Tudo à margem de Eduardo Cunha. Mas a sobrevivência do mandato dele mancha o Congresso.

Já existem contra Cunha vários inquéritos e uma ação penal no Supremo, além do pedido de afastamento da presidência da Câmara protocolado pela PGR. Sua bancada de defensores no Conselho de Ética atuou com extremo cinismo. Desejava que ele fosse julgado apenas pela acusação de ter mentido, na CPI da Petrobras, ao garantir não ter contas na Suíça — as quais de fato possui.

As provas da existência de dinheiro não declarado no exterior, a bancada acha desimportantes. O lobista Fernando Baiano, já condenado pela Lava-Jato, depôs no Conselho, quando confirmou ter passado dinheiro desviado da Petrobras para Cunha, mas disse não saber de contas no exterior. O que pareceu ter agradado aos aliados do presidente afastado da Câmara.

Mas o próprio Fernando Baiano, ao ser sabatinado, disse que o nome certo para aquele dinheiro é mesmo “propina”. A expectativa é que, passado o impeachment, o Supremo acelerou definições sobre acusações a parlamentares encaminhadas à Corte pela Lava-Jato, entre os quais Eduardo Cunha, Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, e vários políticos também de outros partidos foram denunciados. Será um desdobramento saudável para as instituições republicanas! Vamos aguardar o epílogo dessa novela onde os atores são os nossos representantes do Poder Legislativo no Congresso Nacional e no senado.

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